O Paradoxo Cloverfield (“The Cloverfield Paradox”)

Lembro de todo mundo ter ficado com uma pontinha de decepção quando foi assistir a “Matrix Revolutions” em 2003, a terceira da icônica trilogia de ficção, pois apesar de não ser necessariamente ruim – de certa forma até bem legal – funcionava muito mais como um filme solo do que como uma continuação, pois simplesmente jogou fora toda a mitologia dos antecessores e deixaram quase todas as perguntais legais que brotaram antes sem resposta.

Exatamente o mesmo acontece com “O Paradoxo Cloverfield”, continuação dos ótimos “Cloverfield – Monstro” e “Rua Cloverfield, 10”. A diferença é que “O Paradoxo Cloverfield” nem é tão bom”.

Os dois filmes aparentemente desconexos, teriam a chance de se explicar agora. Só que a saída que arranjaram é muito deselegante. Numa estação espacial, um time de cientistas tenta criar uma fonte de energia infinita para salvar a Terra do caos energético. Só que na hora, eles acabam abrindo uma fissura para outra dimensão, a qual da mesma forma que os levam para lá, trazem monstros para a Terra (que seria a explicação dos filmes anteriores).

Só que essa explicação e suas consequências, tomam apenas 10% do filme no máximo, o que não deixa o espectador nem sentir o gostinho de ver os outros filmes por um outro ângulo. O resto se concentra no grupo que está no espaço e tenta voltar pra sua dimensão.

Essa trama principal lembra muito o excelente “O Enigma do Horizonte”, só que descerebrado. O roteiro partiu do princípio de que em outra dimensão tudo é possível e reveza eventos interessantes e dentro do contexto com outros sem pé nem cabeça, como a sequencia do braço (aparece parte no trailer, mas é bem pior) ou a do esconderijo da bússola que não se enquadram em nenhuma lógica.

O diretor ainda cometeu a fatalidade de adicionar um senso de humor fora do timing que muitas das vezes desvirtua a tensão, suavizando-a sem motivo aparente. Mesmo o grande elenco parece se sentir incomodado, como David Oyelowo (“O Mordomo da Casa Branca”), Daniel Brühl (“Amor e Revolução”) e Gugu Mbatha-Raw (“Armas na Mesa”).

O Paradoxo Cloverfield” joga uma pá de cal no que poderia ter sido uma ótima trilogia. Coisas da qual não dá pra voltar atrás.

Curiosidades:

– O monstro que aparece no final não é o mesmo de “Cloverfield – Monstro” e dá a entender que há vários deles na Terra.
– O nome Tagruato aparece algumas vezes rapidamente neste e em todos os filmes da franquia, que é uma empresa que pode estar ligada a todos os eventos.
– O entrevistado que fala sobre o Paradoxo Cloverfield tem o mesmo sobrenome do personagem de John Goodman em “Rua Cloverfield, 10”.
– A jornalista que aparece num noticiário é a mesma personagem que pede abrigo numa cena de “Rua Cloverfield, 10”.
– Um dos personagens da estação espacial é brasileiro (por mais que o ator não seja).
– Na tela do celular dos personagens, aparece a operadora BRT. É uma abreviação da produtora do filme, Bad Robot.
– A voz da rádio logo no início e do ator Simon Pegg (“Star Trek“).
– Aparentemente esse não vai ser o último filme da série.

Ficha Técnica

Elenco:
Gugu Mbatha-Raw
David Oyelowo
Daniel Brühl
John Ortiz
Chris O’Dowd
Aksel Hennie
Ziyi Zhang
Elizabeth Debicki
Roger Davies
Clover Nee
Donal Logue

Direção:
Julius Onahv

Produção:
J.J. Abrams
Lindsey Weber

Fotografia:
Dan Mindel

Trilha Sonora:
Bear McCreary

 

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