Antes que Eu Vá (“Before I Fall”)

Viver o mesmo dia várias vezes até aprender o verdadeiro significado dessa “magia” já é um tema conhecido e que foi institucionalizado na década de 80 com o clássico “O Feitiço do Tempo” e usado até mais recentemente em “No Limite do Amanhã“. Também tem uma pitada de “O Efeito Borboleta” e o resultado acaba sendo misturado com “Crepúsculo”, já que o filme se baseia no livro infanto-juvenil homônimo de Lauren Oliver.

Mas vamos à sinopse: a cálida Zoey Deutch de “Tinha que Ser Ele?” é Samantha e faz parte de um grupinho de garotas malvadas da escola. Ao sair de uma festa, elas sofrem um acidente mortal, mas Sam acorda de novo no mesmo dia e então ela começa a surtar e com o passar dos dias sendo sempre o mesmo, ela percebe que precisa mudar suas atitudes para fazer aquele dia valer.

Tanto o roteiro quando o diretor Ry Russo-Young (do chatinho “Caminho Para o Coração”) fazem uma narrativa que se divide entre o objetivo (bom) e o contemplativo (cansativo). O ponto positivo é que os personagens são bem construídos ao ponto em que com o passar do tempo, os estereótipos (o nerd, a malvada mor, a que sofre bullying, a gay) vão se tornando mais multifacetados, mesmo que a condução dos personagens não seja das melhores, isto é, aparentemente o roteiro os leva para o lado certo, enquanto o diretor tenta desviar esse caminho. O conflito dessa dinâmica se entende por todo o filme e, entre erros e acertos, destaca-se a própria mudança na protagonista feita de maneira orgânica e Zoey Deutch incorpora muito bem essa mudança, como se realmente sempre tivesse existido uma essência boa dentro de uma capa superficial.

Outro destaque é a trilha sonora que, apesar de músicas desconhecidas, mantém um ótimo astral, quase saído de uma playlist de clipes da finada MTV.

Só que aí chega o desfecho que pega o espectador de supetão e, apesar de previsível (a narração em off praticamente conta o final desde o início do filme), não consegue emocionar ou, pior, não deixa o público ter nenhuma reação, deixando um gostinho ruim ao sair do cinema.

Antes que Eu Vá” pega uma trama batida, mas sempre interessante, constróis bons personagens, mas tem uma direção fraca que perde as melhores oportunidades pra fazer a produção decolar.

Curiosidades:
– Parte do filme é inspirado em “O Efeito Borboleta”. Coincidência ou não, ao lado da cama em que Samatha acorda todos os dias há um quadro com três borboletas.
– Na sala de aula, o professor de filosofia fala sobre Sísifo, mas sempre que ele começa, é interrompido. Sísifo é a analogia perfeita ao filme, pois, segundo a mitologia grega, após a morte Sísifo recebeu a seguinte punição: foi condenado a, por toda a eternidade, rolar uma grande pedra de mármore com suas mãos até o cume de uma montanha, sendo que toda vez que ele estava quase alcançando o topo, a pedra rolava novamente montanha abaixo até o ponto de partida por meio de uma força irresistível, invalidando completamente o duro esforço despendido. Por esse motivo, a expressão “trabalho de Sísifo”, em contextos modernos, é empregada para denotar qualquer tarefa que envolva esforços longos, repetitivos e inevitavelmente fadados ao fracasso – algo como um infinito ciclo de esforços que, além de nunca levarem a nada útil ou proveitoso, também são totalmente desprovidos de quaisquer opções de desistência ou recusa em fazê-lo.
– Pra quem achou que a irmãzinha de Samantha é uma fofura e é familiar, é porque ela é a irmã do ator mirim e também muito fofo Jacob Tremblay, que virou uma unanimidade depois do premiado “O Quarto de Jack“.

Ficha Técnica

Elenco:
Zoey Deutch
Halston Sage
Logan Miller
Kian Lawley
Elena Kampouris
Cynthy Wu
Medalion Rahimi
Erica Tremblay
Liv Hewson
Nicholas Lea
Jennifer Beals

Direção:
Ry Russo-Young

Produção:
Matthew Kaplan
Brian Robbins
Jon Shestack

Fotografia:
Michael Fimognari

Trilha Sonora:
Adam Taylor

 

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