Rei Arthur: A Lenda da Espada (“King Arthur: Legend of the Sword”)

Imagine a lenda do Rei Arthur contada pelo diretor de “Snatch – Porcos e Diamantes”. Guy Ritchie usa de sua antiga roupagem na condução narrativa de filmes e aplica com um prazer quase tangível na tela para contar a história de Arthur (Charlie Hunnam de “A Colina Escarlate”) que quando criança viu seu pai, o rei (Eric Bana de “Horas Decisivas”) pelo irmão malvado Vortingern (Jude Law de “A Espiã que Sabia de Menos”) através da conjuração de uma forte magia negra. Criado num prostíbulo e já adulto, o destino faz com que ele se veja as voltas com a espada mágica Excalibur, despertando o ódio no tio, o qual inicia uma caçada humana, enquanto Arthur se divide entre a liberdade de ser apenas um plebeu qualquer e o dever de recuperar o reino do tirano Vortingern.

O diretor não economiza: há tempos não se vê alguém esbanjar tanto para jogar na cara da sociedade efeitos especiais que são tão perfeitos que o 3D praticamente agride o espectador (no bom sentido) – eu mesmo senti praticamente fagulhas das lutas transpassando no meu rosto – além do tom épico em mostrar um reino que rivalizaria com alguns dos castelos de “O Senhor dos Anéis”. E não só isso: as lutas que propositalmente desafiam as leis da física numa mistura de UFC com Mortal Kombat são um delírio para os olhos, mesmo que às vezes incômodos para os puristas (e com razão).

Daí de repente parece que estamos vendo um trecho do clássico “Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes” de Ritchie que repete deliciosamente a sequência em que o personagem conta uma história e a mesma vai se materializando e se revezando com as cenas da narrativa. A combinação de todos esses fatores certamente divide opiniões. Tira muito do tom medieval da história e a transforma numa adaptação street-pop contemporânea. Por outro lado, fica difícil não admirar a ousadia de subverter um produto tão batido, entregando algo que surpreende (ou decepciona) e definitivamente diferente.

O elenco não dá pitaco no resultado, mas também não joga contra. A trilha sonora também é outra com marca registrada de Daniel Pemberton (“Steve Jobs”) que sempre se metamorfoseia de acordo com o diretor com quem trabalha.

A nova roupagem de “Rei Arthur” é um produto puramente pop que usa o máximo de recursos para tornar a experiência do espectador diferenciada, mesmo que algumas vezes negligencie um pouco de sua coerência em prol de um ritmo inabalável. Totalmente Guy Ritchie, para melhor ou pior.

Curiosidades:

– A escolha do protagonista ficou entre Charlie Hunnam, Henry Cavill e Jai Courtney. Charlie Hunnam disse ao diretor que podia colocar os três num quarto pra uma porrada e quem saísse de lá, levaria o papel. Nessa hora Guy Ritchie o escolheu.
– O filme preferido de Charlie Hunnam é Excalibur de 1981.

Ficha Técnica

Elenco:
Charlie Hunnam
Astrid Bergès-Frisbey
Jude Law
Djimon Hounsou
Eric Bana
Aidan Gillen
Freddie Fox
Craig McGinlay
Tom Wu
Kingsley Ben-Adir
Neil Maskell
Annabelle Wallis

Direção:
Guy Ritchie

Produção:
Steve Clark-Hall
Akiva Goldsman
Joby Harold
Guy Ritchie
Tory Tunnell
Lionel Wigram

Fotografia:
John Mathieson

Trilha Sonora:
Daniel Pemberton

 

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