Han Solo: Uma História Star Wars (“Solo: A Star Wars Story”)

Um dos maiores medos dos cinéfilos e fãs da saga Star Wars quando a Disney comprou a Lucasfilm (aliás era vem comprando tudo o que vê) era que o novo estúdio desvirtuasse a saga fazendo filmes caça níqueis e de fraco conteúdo. Na época ela respondeu com “Rogue One”, um dos melhores filmes da saga e uma nova trilogia que não deixa nada a desejar.

Solo” talvez seja o primeiro filme que materialize – se bem que parcialmente – esse medo. Parcialmente porque sim, é um filme caça níqueis e, apesar de Han Solo pertencer ao trio de personagens principais da franquia original, além de Luke e Leia, a história da sua origem, por mais interessante que possa ser, pode ser considerada desnecessária. E não porque o diretor Ron Howard (“Inferno”) conseguiu montar um ótimo filme de ficção e espertamente conseguiu vincular alguns eventos às trilogias principais, mesmo que às vezes superficialmente.

A nova cara de Han Solo é Alden Ehrenreich de “Ave, César!” que, apesar da pouca semelhança, preserva muito bem o estilo de Harrison Ford. Passado 10 anos antes dos eventos que vão culminar no “Episódio IV – Uma Nova Esperança”, somos levados a ele e sua namorada Qi’ra (Emilia Clarke de “A Voz da Pedra” e mais conhecida pela sua icônica personagem em “Game of Thrones”) que estão presos num planeta dominado por uma gangue. Quando Han consegue escapar, mas ela não, ele se junta ao Império e depois a um grupo de mercenários liderados por Beckett (Woody Harrelson de “Wilson”) para roubar uma carga de um minério raro e ganhar dinheiro suficiente para comprar sua própria nave.

Nessa empreitada, o espectador vai descobrir o porque do nome Solo, como o protagonista conhece Chewbacca, o eterno vigarista Lando Calrissian (Donald Glover de “Homem Aranha – De Volta ao Lar”) e como suas ações vão leva-lo a Tatooine, planeta onde mais tarde na saga, vão encontrar com Jabba The Hut e ninguém menos que Luke Skywalker.

A ação é eletrizante, ininterrupta e muito bem coreografada, o elenco consegue cativar e o diretor consegue fazer com que criemos laços com os personagens mesmo com pouco tempo de projeção e daí os eventos acabam afetando o público emocionalmente e intensifica a experiência.

Existem vários momentos “wow”, como a apresentação da Millenium Falcon, a descoberta de como funciona alguns aspectos do Império, como sem querer Solo ajuda o início da rebelião e um, praticamente no final, que vão fazer os fãs caírem da cadeira, que ainda tem o cheirinho de continuação.

Solo” é o primeiro genérico da saga, mas feita com toda a qualidade para estabelecer um novo universo na franquia que passa a depender muito mais da competência em escrever conteúdo relevante do que dos vínculos com a saga principal, se bem que estes serão sempre bem vindos.

Curiosidades:

– Um dos rebeldes é interpretado por Warwick Davis, o anão que fez vários papéis menores na saga, mas é principalmente conhecido por ser Wicket, o Ewok de “Episódio VI” e dos spin-offs dos Ewoks iniciado por “Caravana da Coragem” de 1984.
– Em todos os seus filmes, o diretor Ron Howard coloca sua esposa de figurante, pois ele diz que ela é um amuleto da sorte. Em “Solo” ele fez o mesmo, mas a cena acabou sendo cortada na edição. Então ele a inseriu digitalmente em outra cena.
– O filme responde de uma vez por todas o dilema “Han atirou primeiro” colocado no “Episódio IV” da saga principal (cena próximo ao final).
– Na sala do vilão Dryden Vos (Paul Bettany, o Visão de “Vingadores”), há um artefato chamado Ídolo Dourado ou Ídolo da Fertilidade, o qual nos é apresentado pela primeira vez em “Os Caçadores da Arca Perdida” com Harrison Ford. Que não só faz uma homenagem ao ator, mas também é um link para o nosso universo e foi colocado como um easter egg proposital do diretor.
– Também em sua sala á uma armadura de mercenário que será usada mais tarde na saga por Boba Fett.
– No “Episódio IV” a roupa que Lando Calrissian usa para salvar Han Solo de Jabba é a mesma que Beckett usa como disfarce. Ou seja, ela deve ter sido guardada na Millenium Falcon desde então.
– Durante a cena do trem, Val (Thandie Newton de “O Mistério na Rua 7”) cita Bossk como um caçador de recompensa. Ele aparece de verdade no “Episódio V – O Império Contra Ataca”.
– O casting do personagem Han Solo foi o mais longo da história do cinema, seguido do feito para Christian Grey em “50 Tons de Cinza”. Detalhe: Alden Ehrenreich, eu ficou com o personagem, foi o primeiro a fazer a audição para o papel.
– Numa cena Han fala que “tem um bom pressentimento sobre isso” que é uma piada interna, pois na saga principal, ele (interpretado por Harrison Ford) sobre costumava dizer que “tinha um mau pressentimento sobre isso”.
– Em “Episódio V – O Império Contra Ataca”, C3-PO diz que tem dificuldade em se comunicar com o computador da MIllenuim Falcon por “ela” ser temperamental. Com esse filme sabemos o motivo.
– Um dos rebeldes que aparecem no final ao tirarem o capacete se mostra como o alien que será mais tarde o segundo no comando de Saw Gerrera em “Rogue One”.

Ficha Técnica

Elenco:
Alden Ehrenreich
Joonas Suotamo
Woody Harrelson
Emilia Clarke
Donald Glover
Thandie Newton
Phoebe Waller-Bridge
Paul Bettany
Jon Favreau
Erin Kellyman
Linda Hunt
Ian Kenny
John Tui
Charlotte Louise
Sema-Tawi Smart
Clint Howard
Dee Tails
Attila Vajda
Anthony Daniels
Warwick Davis

Direção:
Ron Howard

Produção:
Simon Emanuel
Kathleen Kennedy

Fotografia:
Bradford Young

Trilha Sonora:
John Powell

 

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